Muito além do burnout: o sentimento que tem levado os profissionais da educação pública a questionar seu propósito
29 de setembro de 2025 | 6 min de leitura
Entenda por que o sentimento de desmoralização — e não apenas o burnout — tem afastado profissionais da educação pública de sua missão.
O incômodo que muitos sentem, mas não sabem nomear
Profissionais da educação pública, independente do resultado que sua rede tenha apresentado nos últimos anos, em algum momento recente, provavelmente experimentaram o sentimento de não estar conseguindo cumprir seu trabalho como gostariam.
Ou, quem sabe, tenham experimentado períodos curtos de satisfação com sua atuação, mas logo em seguida voltaram a duvidar de sua própria capacidade de ajudar seus estudantes a desenvolver o potencial pleno de aprendizagem.
Mais que burnout: o que as pesquisas revelam
Em especial no pós-pandemia, o cuidado com a saúde emocional dos profissionais da educação se tornou o foco de políticas públicas, debates, livros e matérias em diversas mídias.
E, embora o esgotamento físico e emocional tenha de fato levado muitos profissionais de educação a um processo de burnout, você vai se surpreender com o resultado de uma pesquisa recente sobre o assunto.
A tese que muda tudo
Esse trabalho, produzido por um grupo de pesquisadores, gerou um livro cuja tese é: os profissionais da educação não poderão reencontrar sua força, energia, propósito e satisfação no trabalho enquanto acharmos que somente meditação e técnicas de relaxamento trarão as respostas para o grande estresse que vêm vivendo.
Isso porque, apesar de muitos profissionais da educação terem sim chegado a um ponto de total esgotamento físico e emocional, a saída para dias mais leves e com melhores resultados na educação não está somente nas mãos dos professores.
E quando dizemos para um professor que ele precisa se reequilibrar emocionalmente, como forma de mudar o contexto estressante que vivemos hoje na educação, estamos simplificando demais o problema. E deixando nas costas desses profissionais o peso de uma solução que ele não terá como encontrar sozinho.
Desmoralização: o nome do verdadeiro problema
A filósofa educacional, professora e pesquisadora Doris Santoro comprovou com seu trabalho que há um sentimento de desmoralização entre os profissionais da educação.
Segundo o dicionário, uma pessoa “desmoralizada” é aquela que perdeu o respeito, o ânimo, a força moral, a confiança em si ou na possibilidade do êxito.
Santoro coloca a desmoralização como “um processo, não um evento”. E isso torna cada um de nós, família, escola, gestores da educação, políticos e sociedade como parte importante para que esse processo possa ser revertido.
O cenário das redes públicas
As pesquisas revelaram que os profissionais da educação estão em estado de total desespero, diante das demandas que chegam todos os dias, de todos os setores da sociedade, sem que exista a devida estrutura para atender ao menos aquelas que de fato cabem à escola.
Alguns dos fatores que alimentam esse caos:
– Famílias sem repertório emocional para educar filhos na era digital
– Estudantes sem habilidades sociais mínimas
– Leis desenhadas sem escuta da realidade escolar
– Docentes recém-formados sem preparo prático para a sala de aula
Remoralização: o que é e por que importa
Precisamos seguir garantindo oportunidades para que os professores possam relaxar, cuidar da saúde mental e física. Manter somente essas ações, contudo, não vai nos levar aos dias melhores com que tanto sonhamos para a educação do nosso país.
A “remoralização” é a proposta para que a educação possa voltar a ser abordada como parte da solução, e não como o problema do nosso país.
O sentimento de orgulho pela profissão, a sensação de estar conseguindo cumprir o papel essencial que a escola tem na vida das novas gerações requer também mudanças em aspectos que são fundamentais para que o desempenho dos estudantes possa melhorar.
Pequenos passos com grande impacto
Fatores que podem ser transformados com mais rapidez:
– Envolvimento genuíno da família com a escola
– Formação com base em evidências e Neurociência
– Participação ativa de quem vive o chão da escola nas decisões públicas
Agir no que está ao seu alcance, como líder, gestor ou professor, é sempre o ponto de partida com maior possibilidade de sucesso.
Profissionais da educação, vocês não estão sozinhos(as)
Quando tudo parecer pesado demais, complicado demais, difícil demais, lembre-se de que a educação é um ato social não somente para nossos estudantes. Isso vale para nós, profissionais da educação também.
Não tente fazer sozinho aquilo que pode ser conseguido com muito menos esforço individual, quando agimos em colaboração com outros profissionais da educação.
Você não está sozinho. Há milhares de outras pessoas que compartilham das mesmas dores e sonhos.
Vamos seguir juntos?
Que tal seguirmos juntos, formando uma comunidade que acredita no poder da educação e no valor incalculável que existe em cada profissional que dedica seu tempo e energia para mudar vidas?
A “remoralização” proposta por Doris Santoro precisa ser realidade nas redes públicas do Brasil. Comecemos com um trabalho em parceria, no qual compartilharemos com você e sua rede:
– Informação de qualidade
– Reflexões transformadoras
– Inspiração prática
Tudo isso para que cada profissional da educação possa lembrar do quanto é imprescindível e único.
Compartilhe esse texto com alguém que você admira e que merece acompanhar com você as estratégias e inspiração para dias mais leves, com melhores resultados na educação do nosso Brasil. Para que possamos deitar a cabeça no travesseiro com o orgulho de quem está moldando o futuro de uma nação.
Por:
SOS Educação – Taís e Roberta Bento
Especialistas na Relação Família-Escola

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