Por que as crianças não estão cantando?
09 de setembro de 2025 | 3 min de leitura
Por que as crianças não estão cantando?
Um olhar sensível sobre o silêncio nas escolas brasileiras e o adoecimento dos professores do Brasil.
“A visita que inspirou um artigo de repercussão mundial” — esse foi o título de um artigo escrito por um filósofo, escritor e pesquisador da educação, depois de sua visita ao Brasil, no início dos anos
David Thornburg, um ser humano incrível, a quem tive a honra de conhecer pessoalmente, ficou estarrecido ao visitar escolas brasileiras durante sua estadia em nosso país e descobrir que, ao contrário da imagem que ele tinha em sua mente, de um Brasil alegre e colorido, as escolas eram cinzas, com muros altos e aparência triste.
Dentre os livros e artigos escritos por ele, esse foi o que mais ficou marcado.
A dissonância entre cultura do nosso povo e as escolas brasileiras
Lembro que entendi seu susto. E fiquei admirada com o esforço que ele colocou na tentativa de compreender como tamanha divergência podia existir. Um chamado para pensarmos sobre o paradoxo entre a cultura de um povo que canta, dança, sorri, tem casas e lojas coloridas e a escola que prepara suas crianças para o futuro, sendo cinza, silenciosa e “séria demais”.
Mais de vinte anos, alguns governos com crenças e propostas diferentes e uma pandemia depois, esse artigo continua vivo dentro de mim. Agora, porém, com reflexões que eu não teria recursos para processar quando conheci o autor.
A dúvida que não sai da minha mente é: o que o Dr. Thornburg escreveria se voltasse hoje a visitar as escolas brasileiras?
E como não quero pensar sozinha, convido você a pensar junto comigo: que reflexões ele faria se a visita acontecesse em uma escola da sua rede?
Atualizando a pergunta
Enquanto aguardo ansiosa por uma oportunidade de ler, ou quem sabe, ouvir sua resposta, querido leitor e leitora, vou propor uma mudança de foco em relação à dissonância entre a cultura do nosso país e o clima dentro da escola.
Se eu fosse fazer uma versão atualizada do mesmo artigo, minha pergunta seria:
– Por que os professores não estão sorrindo?
– Ou, talvez, por que os gestores estão adoecendo?
Tenho a sensação de que a resposta a essas perguntas resolveria o mistério do porquê as crianças não estão aprendendo.
Ou do porquê o adoecimento dos professores está fazendo com que desistam de suas carreiras, as quais são, na maior parte das vezes, escolhidas a partir de um propósito de vida.
Quando você não consegue mais relacionar seu trabalho, por mais pesado e cansativo que seja, com um propósito de vida, você também perde a força e energia necessárias para continuar: exatamente porque perdeu o prazer que antes existia em buscar caminhos para vencer os desafios.
Vamos juntos espalhar essa reflexão!
Se esse texto tocou você, compartilhe com quem também precisa pensar sobre isso. Talvez esse seja o primeiro passo para diminuir o adoecimento dos professores e para que as crianças voltem a cantar.
Por:
SOS Educação – Taís e Roberta Bento
Especialistas na Relação Família-Escola

Artigos relacionados
-
Travessia para um mundo desconhecido: o papel dos profissionais da educação como ponte para o futuro nessa jornada que estamos vivendo
Em um mundo que vive em transformação, a escola resiste…
-
Muito além do burnout: o sentimento que tem levado os profissionais da educação pública a questionar seu propósito
Entenda por que o sentimento de desmoralização — e não…
-
Um superpoder dos profissionais da educação, capaz de transformar o desempenho escolar
Impactar o desempenho escolar e fortalecer vínculos entre professores, gestores…
-
Alfabetização, etapa-chave da vida escolar
A alfabetização é uma etapa-chave da vida escolar, que segue…
-
Como a formação continuada transforma a qualidade da educação pública?
A qualidade da educação pública passa, inevitavelmente, pela valorização e…