Missões militares e explorações espaciais passarão a contar com a tecnologia quântica. Ao invés de utilizar o GPS no espaço, o avião espacial americano X-37B testará sensores quânticos em sua oitava missão, agendada para esta quinta-feira (21). Prometendo uma navegação ainda mais precisa, a tecnologia permitirá manter a localização da nave em locais com comprometimento ou baixa disponibilidade de sinais de satélite.
Assim, a inovação surge como uma importante alternativa ao uso do GPS que, apesar de ser amplamente empregado em diferentes dispositivos, apresenta limitações — especialmente fora da órbita terrestre. Além disso, em situações de conflito, os sinais podem ser bloqueados (jamming), falsificados (spoofing) ou até desativados. O objetivo é garantir navegações de longa duração com maior resistência e eficiência.
A aeronave espacial é a primeira a testar a tecnologia quântica na prática, embora já existam outros experimentos científicos em órbita, como o Cold Atom Laboratory, da NASA, e o MAIUS-1, da agência espacial alemã. O X-37B, geralmente, realiza operações em sigilo, mas muitas vezes serve como plataforma para experimentos de novas tecnologias de ponta.
Como a tecnologia funciona
O avião espacial irá testar sensores de navegação inercial quântica, baseados em interferometria de átomos. O processo consiste no resfriamento dos átomos a temperaturas próximas do zero absoluto e na sua manipulação com lasers para entrarem em estados de superposição. Os átomos, ao se comportarem como ondas, seguem trajetórias distintas que depois são reunidas, formando padrões de interferência.
Esses padrões carregam informações altamente detalhadas sobre movimentos e rotações. Por serem idênticos e não apresentarem desgaste como ocorre em componentes mecânicos, os átomos garantem ao sistema maior sensibilidade e menor risco de falhas ao longo do tempo.
Interesse militar americano
O avanço tecnológico interessa principalmente à Força Espacial dos Estados Unidos, que busca ampliar a resiliência operacional em situações sem acesso ao GPS. No caso de missões de exploração do espaço profundo — que incluem futuras viagens à Lua e a Marte — a navegação quântica se tornará indispensável. Assim, os sistemas quânticos têm potencial para atuar não apenas como suporte, mas também como a principal referência de orientação.
Além dos Estados Unidos, outras nações como China e Reino Unido vêm acelerando pesquisas na área, testando a navegação inercial quântica em aviões e submarinos. Em 2024, a Boeing e a AOSense realizaram o primeiro voo tripulado utilizando a tecnologia de forma contínua por cerca de quatro horas sem apoio do GPS. No mesmo ano, o Reino Unido anunciou seu primeiro teste em uma aeronave comercial, reforçando a corrida internacional por alternativas mais seguras de navegação.