Análise da ABBC revela desafios e oportunidades para o sistema financeiro brasileiro

Antes mesmo do lançamento do Pix, o sistema financeiro brasileiro já era reconhecido mundialmente pela eficiência tecnológica. As TEDs, transações realizadas em cerca de 20 minutos, foram referência desde o início dos anos 2000. Acompanhando as inovações em tecnologia, Leandro Vilein, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), fez uma análise das perspectivas do setor, dos desafios da digitalização e impactos do Drex e da tokenização. 

Em entrevista para a Exame, o representante afirmou que a eficiência atual do sistema financeiro se deve ao comportamento dos brasileiros. Além dos investimentos contínuos, a tecnologia é muito presente no cotidiano dos consumidores. “O consumidor brasileiro é muito tecnológico. Todo mundo usa, independente da faixa de renda, os seus celulares para tudo”, afirmou. 

O fenômeno do Pix

Entretanto, justamente por essa “imersão na tecnologia”, Vilein pontou que nem sempre o brasileiro compreende o quão avançado o sistema nacional é em comparação com outros países. Assim, o presidente reforçou o fenômeno do Pix, lançado em novembro de 2020. A adoção do método instantâneo de pagamento, durante a pandemia, demonstrou agilidade tanto na implementação quanto na adesão da população. 

Tendências e desafios

Quanto ao futuro do sistema financeiro, o presidente acredita que o avanço tecnológico irá contribuir diretamente para o gerenciamento de informações. Assim, algumas áreas de negócio serão beneficiadas, como o mercado PJ (pequenas empresas), que atualmente sofre com a falta de dados organizados. A tecnologia aplicada nos sistemas poderia otimizar o gerenciamento, tornando processos e soluções mais rápidos e seguros para este público. 

Mas Vilein relembrou que, por outro lado, combater as fraudes e fortalecer a segurança digital seguem sendo desafios enfrentados pelo sistema brasileiro. Como exemplo, o presidente citou os aplicativos de bancos que ainda utilizam muitos recursos para garantir a proteção de dados de seus clientes, algumas vezes, dificultando a experiência final. 

Tokenização e Drex

Na área de tokenização e Drex, o presidente afirma que a ABBC já realizou testes que comprovam o quanto essas soluções são eficientes e uma tendência para o mercado nacional. Porém, ressalta que a regulamentação e questões jurídicas podem ser empecilhos, especialmente se tratando da tokenização. “A tecnologia se mostra viável, mas temos que ver como funcionará perante a legislação. Acho que vai ser um processo. Ninguém vai entrar de cabeça em algo que possa trazer insegurança jurídica”.

Atualização de profissionais e IA

Ao falar sobre atualização de profissionais para atuarem em um mercado cada vez mais tecnológico, Vilein enfatizou que os profissionais da área precisam estar preparados para uma linguagem que se transforma o tempo todo. Com os avanços do IA, a tendência é que se transforme de forma ainda mais rápida. 

“É um processo de atualização que não vai acabar nunca. Ainda mais que a IA é outra tecnologia, que avançará muito mais. Hoje [a IA] já tem muitas iniciativas como suporte à interação humana. Mas, vai chegar um momento que ela vai interagir diretamente [com as pessoas]”, afirma.