O Brasil e o Chile estão apontados como os países com maior potencial para se tornarem polos de implementação de data centers na América Latina. Um estudo realizado pelo BTG Pactual mostra que ambos apresentam forte capacidade para a atração de investimentos, incluindo benefícios para o setor elétrico. Esse protagonismo ganha cada vez mais relevância diante do mercado tecnológico dos Estados Unidos, onde a cadeia de suprimentos está sob pressão devido aos avanços da inteligência artificial (IA).
Conforme o BTG, apenas nos EUA a demanda por data centers deve crescer de 31 GW (2024) para 83 GW até 2030. Nesse mesmo período, o consumo de energia desses centros deverá saltar de 4% para 11,7% da produção total de energia no país. Mas, para que Brasil e Chile se consolidem como polos de implementação, será necessário ajustar marcos regulatórios, simplificando negociações e investimentos e aproveitando as infraestruturas já existentes.
Inclusive, a BTG Pactual apresentou críticas à Medida Provisória (MP) 1.307/2025 brasileira, que define critérios para que empresas de data centers usufruam de benefícios tributários concedidos às Zonas de Processamento de Exportação (ZPE). O banco avalia que a atual MP poderá limitar em vez de ampliar a competitividade brasileira no setor. “Se o Brasil e o Chile souberem capturar a oportunidade, enfrentando suas respectivas ineficiências, ambos os países podem se tornar um paraíso para data centers”, traz o estudo.
Oportunidades do setor elétrico
Um dos segmentos que podem ser diretamente favorecidos pelo crescimento dos data centers na América Latina é o elétrico. A expectativa é de aumento na demanda por permitirem contratos mais longos e consistentes, além da redução de barreiras regulatórias. “As distribuidoras de energia nas regiões impactadas se beneficiariam de maiores investimentos”, aponta o levantamento.
Além disso, empresas fornecedoras de energia podem ver suas ações valorizarem, tornando-se ainda mais atraentes para investidores. No Brasil, companhias como Eletrobras, Auren, Copel, Engie e Cemig se destacam por seus portfólios robustos. Já no setor de telecomunicações, operadoras como Vivo e Entel também tendem a se beneficiar com a expansão da infraestrutura digital.