Um projeto brasileiro inédito poderá transformar o setor de tecnologia. Um computador quântico está prometendo aumentar a capacidade de uso dos dispositivos. Para isso, o projeto de engenharia, realizado na Universidade de São Paulo (USP), está trabalhando no lançamento de um supercomputador com múltiplas unidades de processamento.
Atualmente, essa ainda é uma grande limitação da computação quântica já que as soluções existentes apresentam somente um processador. Essa proposta foi apresentada pelo engenheiro de computação Waldemir Cambiucci, doutorando da Escola Politécnica (Poli) da USP, em um artigo recente. Apesar da ideia inovadora, o projeto ainda está em sua fase inicial.
Química, mercado financeiro e IA
A equipe responsável acredita que o produto possa contribuir para as áreas de IA (Inteligência Artificial), química, mercado financeiro e ciências materiais. De acordo com o idealizador, o desafio está em viabilizar o computador no menor tempo possível para utilizá-lo nos cenários atuais.
Mas, antes dos múltiplos processadores virarem realidade de fato, eles passarão por um longo cronograma de desenvolvimento e testes. Neste processo, haverá etapas de otimização das operações, mapeamentos de bits quânticos e a inicialização propriamente dita.
Computação quântica: o que é?
Os computadores quânticos já são considerados o próximo passo a ser dado pela tecnologia quanto se trata de computação. A inovação consiste em processar informações através de partículas como átomos, elétrons e luz para atender demandas e problemas mais complexos.
A computação clássica utiliza bits (unidades básicas de informações) para funcionar, assumindo valores de 0s e 1s. Já os computadores quânticos se baseiam em qubits. Essa diferença faz com que ocorra a superposição, um fenômeno que ocorre pela combinação de ambos valores em um mesmo tempo, aumentando a capacidade dos dispositivos.
“Junto com os fenômenos de emaranhamento e interferência, a superposição é característica de um computador quântico, que realiza seu processamento a partir dos princípios da mecânica quântica”, explica Cambiucci. Esse modelo de computação também permitirá maior segurança nos processos digitais.
Projetos com altas taxas de erros
Atualmente, os computadores quânticos servem apenas para o uso experimental. A falta de múltiplos processadores faz com que esses modelos ainda registrem altas taxas de erros e limitação para as aplicações necessárias em cenários complexos.
No mercado tecnológico atual já existem outros projetos de computação quântica com múltiplos processadores em andamento. Entretanto, o pesquisador brasileiro afirma que todas ainda apresentam altas taxas de erro. A proposta do projeto brasileiro é corrigir estes problemas.