O alto consumo de mídias tem aproximado a televisão do mercado de e-commerce. Além do uso frequente de celulares, nos últimos tempos os brasileiros também aumentaram sua demanda por conteúdos televisivos. Uma pesquisa encomendada pelo Mercado Ads, realizada pela Ipsos, apontou que 64% da população que navega no celular também assiste simultaneamente a algum conteúdo de TV ou streaming.
Ainda, 55% afirmam buscam algum produto ou chegam a efetuar compras pelo celular enquanto assistem televisão. O levantamento considerou brasileiros de diferentes regiões, gêneros e níveis socioeconômicos. Essa tendência de mercado e o alto consumo de multitelas estão ressignificando a funcionalidade da TV, aproximando-a das plataformas de venda online. Na era da TV 3.0, as marcas passam a repensar suas estratégias de conteúdo, incorporando ferramentas de compra e funcionalidades interativas pelo televisor.
A expectativa é que o consumidor tenha mais autonomia e opções de escolhas, com anúncios e conteúdos personalizados, além da possibilidade de compra. O professor da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), mestre em Comportamento do Consumidor e gerente de Pesquisa de Mídia da agência DM9, João Oliver, afirma que os dados mostram o interesse do público em estar diariamente conectado ao ambiente digital.
A relação entre o que acontece online e o que é assistido na TV cria um fluxo contínuo de comentários, interações e reações sobre novelas, reality shows e outros formatos. Para ele, a tendência é que a TV se torne uma extensão natural do smartphone, oferecendo aplicativos, recursos de compras e hubs de conteúdo. Ainda, as produções gravadas permitirão interações e experiências exclusivas para os usuários.
Compra por QR Code
A conexão entre TV e smartphone irá potencializar as estratégias de marketing e vendas. Quando um produto aparece na tela acompanhado de um QR Code, a televisão deixa de atuar apenas na fase de consideração e passa a funcionar como um canal direto de conversão. A compra pode ser concluída em poucos cliques, sem que o espectador abandone a experiência audiovisual.
João Oliver também explica como essa lógica impacta o comportamento do usuário. “Essa é a importância de um vídeo, dentro do ‘device’, onde você escolhe o que você quer consumir, na hora que você quer consumir e, especialmente, quem vai falar. Se você não gosta do noticiário do A, você vai para o B. Se você não gosta do conteúdo do C, você vai para o D. E você tem uma pluralidade, monta o cardápio do que você quer”, afirma Oliver.
Comportamento influenciado pela pandemia
O aumento do uso simultâneo de telas também é uma resposta e consequência da época da pandemia. Nos últimos anos, expandiu-se o mercado de Smart TVs e cresceu a preferência por assistir a conteúdos de streaming e até YouTube em telas maiores. Nesse período, o consumidor passou a buscar formatos mais confortáveis, imersivos e centralizados na TV, que voltou a ter papel de destaque no consumo digital doméstico.
Diante desse cenário, Oliver reforça que as marcas devem investir em qualidade, e não apenas em propagandas invasivas. “Hoje a briga é pela sua atenção, acima de tudo. Não só pelo ponto de audiência. A TV está passando, você está no smartphone, e se algo te chamar a atenção você troca de tela rápido. Mas você é quem manda”, finaliza.