Gigante da ciência: novo acelerador de partículas será três vezes maior que o atual

O projeto do novo acelerador de partículas foi divulgado pela Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (CERN). Prometendo ser o maior e mais eficiente do mundo, o Future Circular Collider (FCC) terá 90 quilômetros de circunferência, sendo três vezes maior que o circular em atividade, o Grande Colisor de Hádrons (LHC). Em comparação, o atual tem somente 27 quilômetros e a inovação ocupará a sua função quando o maquinário for aposentado.  

Ao longo dos últimos anos, o Grande Colisor de Hádrons já passou por diversas atualizações em sua estrutura, mas, a CERN reconhece que ele alcançou a sua capacidade máxima. Apesar da divulgação do projeto, o FCC será um lançamento de longo prazo. Em primeiro momento, o acelerador de partículas permitirá a colisão de elétrons com a contraparte (pósitrons). Mas, em quatro décadas, o objetivo é que ele colida com os prótons, como já é feito pelo LHC. 

Previsão de lançamento 

Com investimento de 1,5 bilhões de Francos Suíços (R$ 104 bilhões), o extenso e detalhado projeto terá várias etapas até o lançamento. A previsão é que a primeira parte comece a funcionar somente a partir de 2030. Entretanto, o processo de construção e melhoria poderá ultrapassar 12 anos. O grupo de engenheiros responsáveis pela pesquisa já apresentou mais de 100 cenários diferentes para a viabilização do novo acelerador. 

Com isso, constataram que a melhor alternativa para garantir eficiência seria o FCC contar com uma entrada de 200 metros mais profunda que a atual, ou seja, duas vezes mais fundo. O relatório final será revisto por diferentes peritos independentes antes que seja encaminhado para o Conselho do CERN. As diretrizes finais do acelerador, porém, estão previstas para 2028. 

Sustentabilidade e medidas compensatórias 

A CERN afirma que a nova estrutura foi planejada para maximizar os benefícios científicos e minimizar impactos ambientais e sociais. Por isso, o projeto conta com medidas compensatórias que irão beneficiar a França e a Suíça, países onde a organização de pesquisa possui atuação no território. Agora, a CERN pretende avançar para a discussão do projeto com sociedade, apresentando uma estrutura de pesquisa sustentável. 

O objetivo é que o calor gerado na região pelo acelerador de partículas seja usado para aquecer as águas das vilas locais. A organização destacou o seu propósito sustentável em comunicado oficial.  “O CERN assumiu o compromisso de que qualquer novo projeto no laboratório seria um exemplo de infraestrutura de pesquisa sustentável, integrando princípios de ecodesign em todas as fases do projeto, do design à construção, operações e desmontagem”. 

Os recursos que serão investidos no novo acelerador são provenientes majoritariamente do orçamento anual da CERN. O valor cobrirá as etapas de construção da estrutura e de distribuição.