Com base nos avanços tecnológicos dos últimos anos, não é novidade que os recursos de IA (Inteligência Artificial) estão moldando a experiência de compra no varejo mundial. Mas, um novo estudo da consultoria Brain & Company apontou que os brasileiros estão entre os consumidores mais engajados nessa transformação. Movidos pela praticidade, 62% já utilizam IA, sendo que 18% afirmam recorrer a tecnologia com frequência.
A pesquisa indica ainda que 64% dos entrevistados veem a inteligência artificial como facilitadora de tarefas do dia a dia. Ainda, 55% acreditam que a IA pode abrir novas oportunidades de trabalho e 49% consideram que os benefícios inteligentes superam os riscos. Em comparação com outros países, esses números são expressivos. Nos Estados Unidos, por exemplo, 95% das empresas já usam algum tipo de IA generativa, mas apenas 35% dos consumidores confirmar fazer este uso direto.
Mesmo assim, a pesquisa mostra que até quem não se considera usuário ativo já tem contato com a IA de forma indireta. Entre os chamados exploradores emergentes, 66% já utilizaram recursos de inteligência artificial sem perceber.
Produtos conectados e inteligentes
Segundo Lucas Brossi, sócio da Brain e líder da prática de IA na América do Sul, está crescendo entre os consumidores também a adoção de dispositivos que incorporam a tecnologia, como óculos, pingentes e anéis inteligentes. O representante ressalta ainda a importância dos primeiros usuários na difusão dessas ferramentas. “A IA generativa tem o potencial de transformar a experiência do cliente e otimizar as operações no varejo, mas o sucesso depende de uma estratégia de dados bem definida e de uma cultura que valorize a inovação”, diz Brossi.
Desafios para a IA no mercado brasileiro
Apesar da adesão, o grande desafio do varejo está em acelerar a integração dos usuários com a tecnologia, oferecendo experiências de compra mais intuitivas, construídas em linguagem natural e com foco no consumidor. Entre os brasileiros que ainda não utilizam IA de maneira ativa, as principais barreiras são a desconfiança no compartilhamento de dados pessoais (47%), a sensação de despreparo para usar a tecnologia (44%) e o receio de substituição por máquinas (40%).
Além dessas questões, 34% dos entrevistados brasileiros afirmam preferir realizar tarefas manualmente, 30% mencionam preocupações com privacidade e 26% colocam em dúvida a precisão das respostas — um sinal de que, apesar do avanço, ainda há um caminho de confiança a ser percorrido.