A tecnologia das redes móveis poderá assumir funções inéditas. Nos próximos anos, as torres de telecomunicação de redes 6G serão também sensores capazes de monitorar o ambiente. Esse anúncio é da operadora coreana LG UPlus que defende que a próxima geração de conectividade não será apenas sobre aumentar a velocidade da internet. Conforme o documento da empresa, essa tecnologia conhecida como ISAC (Information and Sensing Convergence) irá reaproveitar as mesmas torres e estações-base utilizadas pelo 5G.
Porém, a estrutura não será responsável somente pela transmissão de dados, funcionando como uma espécie de radar. A proposta é que a rede seja uma infraestrutura complexa e inteligente, capaz de “ver e sentir” o que está ao seu redor. A operadora afirma que as torres de 6G captarão movimentos, detectarão vibrações de máquinas e identificarão objetos nas ruas. Através desta funcionalidade, será possível identificar inclusive pessoas que não estejam portando nenhum celular ou dispositivo.
Cidades inteligentes: benefícios previstos
Essa percepção ambiental pode ser o ponto-chave para viabilizar uma nova geração de tecnologias. Segundo a LG, o 6G deve permitir veículos autônomos mais seguros, capazes de antecipar riscos mesmo sem câmeras, além de indústrias que monitoram suas máquinas em tempo real a partir das vibrações registradas pela rede. Da mesma forma, as cidades inteligentes se beneficiariam das torres para acompanhar fluxos de pedestres, detectar obstáculos e coordenar sistemas urbanos com maior precisão.
Próximos passos
A previsão de lançamento de padrões oficiais de rede 6G é para 2029. Por isso, as primeiras redes comerciais deverão surgir apenas em 2030, conforme projeção da Ericsson. Até esses lançamentos, diferentes empresas seguirão explorando as novidades tecnológicas relacionadas à infraestrutura. Além da LG, a Huawei e Qualcomm já discutem o potencial do 6G para criar versões digitais completas do mundo físico — os chamados Digital Twins.
Essa tecnologia irá permitir simulações de cenários e treinamentos de sistemas automatizados. A Samsung também destacou recentemente o papel central do ISAC, defendendo que o 6G seja comunicado ao público como uma tecnologia com benefícios práticos e não apenas como um salto de velocidade. Com isso, o setor aponta para uma rede que não só conecta, mas interpreta o ambiente e amplia o uso de dados em diferentes áreas urbanas e industriais.